Bloqueio Criativo


         O bloqueio criativo é, sem dúvida, o terror de todo escritor, e de todo artista. E, neste momento, eu estou exatamente assim. Mesmo tendo muitas ideias para planejar, quando chega a hora de escrever ou colocar tudo em prática, acabo ficando estagnada. Hoje resolvi compartilhar com vocês como eu lido com esse bloqueio. Curiosamente, o simples ato de estar escrevendo este texto já me ajuda a enfrentá-lo. Ainda assim, cheguei a um ponto bastante preocupante, tenho ideias, mas não consigo executá-las.

        Bloqueio criativo é um dos maiores obstáculos para o avanço de qualquer projeto. Ele pode surgir por diversos motivos: pressão psicológica, rotinas exaustivas, distrações constantes ou até mesmo a procrastinação. Também é muito comum que apareça após a conclusão de um grande projeto. Um exemplo disso aconteceu comigo este ano. Publiquei meu segundo livro e, depois disso, fiquei meses sem escrever ou até mesmo ler. 

            A leitura, que sempre foi algo que amo, acabou se tornando cansativa. Era como se o meu cérebro estivesse pedindo uma pausa. O problema é que nem sempre podemos nos dar ao luxo de ficar muito tempo parados. Temos prazos, compromissos e projetos para entregar. Por isso, em alguns momentos, é preciso dar um pequeno “empurrãozinho” para que o bloqueio criativo comece, aos poucos, a ir embora.

                Para criar, você precisa se inspirar. Por isso, eu sempre dou uma pausa para assistir a filmes de fantasia, romance, distopia e até mesmo desenhos. É muito importante colocarmos na cabeça que não há nada de errado em pausar. Eu sei que, quando tentamos relaxar, a mente fica pesada por não estarmos fazendo o que “precisa” ser feito, mas as pausas também fazem parte do processo. É possível um copo vazio saciar a sede de alguém? Claro que não. E, ainda assim, muitas vezes esperamos criar, escrever e produzir mesmo quando estamos completamente vazios por dentro. É exatamente aí que o bloqueio criativo nasce. O bloqueio criativo não surge apenas pela falta de ideias, mas pela falta de abastecimento. Tentamos escrever sem ler, criar sem observar, produzir sem pausar. Queremos entregar algo ao mundo sem antes nos nutrirmos de referências, experiências e inspiração.

          Assim como um copo precisa estar cheio para matar a sede, nós também precisamos nos preencher para conseguir criar. E isso pode acontecer de várias formas: lendo um livro sem culpa, assistindo a um filme com atenção, ouvindo música, caminhando sem pressa ou simplesmente permitindo que a mente descanse. Muitas vezes confundimos inspiração com procrastinação, quando, na verdade, inspirar-se também faz parte do processo criativo.  Criar exige troca. Você absorve o mundo ao seu redor para, depois, devolver algo.

             "Absorver o mundo ao seu redor" O seu cotidiano é o melhor alimento para as ideias. É muito importante pararmos e observarmos o que está acontecendo ao nosso redor. Eu desenvolvi uma mania um pouco estranha, acabo reparando muito no comportamento das pessoas. Observo a forma como elas sorriem, falam, andam, como resolvem problemas e como reagem diante deles. Percebo se são teimosas, impulsivas ou mais cautelosas. Admito que crio um certo fascínio por aquelas que se tornam um grande ponto de interrogação na minha cabeça, pessoas imprevisíveis. Elas não seguem um padrão ou uma sequência clara e, por isso, se tornam mais difíceis de compreender. Justamente por isso, acabam me inspirando na criação dos meus personagens.

              Mudar o ambiente também ajuda muito. Sair, caminhar e, mais uma vez, absorver o que está ao redor. Notar como as folhas das árvores balançam, o formato das nuvens no céu, absorver os sons das pessoas conversando, dos pássaros cantando, das risadas e até mesmo do barulho dos carros. Observar os senhores caminhando, as crianças andando de bicicleta. Tente se permitir estar submerso nos ambientes. Essa sensibilidade ao seu redor faz com que você consiga descrever melhor para o leitor o que está acontecendo, sem precisar ser direto o tempo todo. Um exemplo muito comum: em vez de escrever “Ela está chorando”, você pode escrever:

“De maneira involuntária, ela abaixa a cabeça e encara os próprios sapatos, aqueles All Star amarelos malditos que agora revelavam as marcas das lágrimas que caíam no chão. Ela levanta levemente o rosto, e as lágrimas dançam por sua pele, como se tentassem anunciar a própria presença.”

             Um livro se torna mais interessante quando você não entrega tudo de forma explícita, como se o leitor não fosse capaz de sentir ou interpretar. É justamente essa escrita sensível e emotiva que cria conexão e encanta quem lê. E ainda mais te da um repertório maior, porque você conhece realidades diferente da sua.

         Algo que eu faço para sair do bloqueio criativo é escrever sem pensar, sem planejar, sem ter necessidade de coerência, apenas colocar no papel as palavras que aparecem na minha cabeça. Se você pudesse ver meu caderno, diria que não faz sentido nenhum, porque são várias coisas misturadas: cartas, pensamentos felizes, tristes, emotivos, mensagens que Deus coloca no meu coração, poesia, planejamento de morar sozinha, ideias de vídeos, livros que quero ler, pedaços de livros e até algumas coisas em inglês que estava aprendendo. Às vezes é só um monte de palavras, mas ajuda muito. Nem tudo o que escrevemos precisa ser exposto ou se tornar um livro. Um escritor, primeiramente, escreve para si, escrever precisa ser algo prazeroso. E é justamente esse pensamento de que tudo precisa se tornar público ou virar livro, perfeito e aplaudível que, muitas vezes, se torna o maior causador do bloqueio criativo, fazendo perder a essência da escrita.

            Minha última alternativa é voltar a fazer algo que eu costumava fazer e acabei deixando de lado. Ultimamente, tenho voltado a jogar, mas, em outros momentos, retorno ao desenho, estudo sobre moda, mergulho novamente na música, assisto animes, volto a correr ou jogo basquete. Quando fazemos coisas sem obrigação, nossa imaginação e criatividade voltam a fluir, porque a nossa cabeça não está tão obcecada com aquilo. Fazer essas atividades é como colocar o cérebro para “respirar”. Quando estamos com a mente mais tranquila, surgem ideias melhores, com mais fluidez, e percebemos com mais clareza os erros e o que precisa ser ajustado.

        Eu até poderia dizer que dormir também é essencial, mas estou escrevendo isso muito tarde. Felizmente ou infelizmente, nossa mente costuma funcionar justamente nos momentos mais improváveis. Existe quase um consenso entre escritores de que é na madrugada que surgem as melhores ideias. Mas é preciso ter cuidado, quando esse hábito se torna exaustivo, ele também pode nos levar de volta ao bloqueio criativo. Não vou insistir muito nesse ponto, porque seria um pouco hipócrita da minha parte, já que tenho dormido muito pouco. Agora vocês já entendem melhor o motivo de eu estar enfrentando esse bloqueio criativo. Em breve, vou compartilhar com vocês o que estou criando no momento e um pouco do planejamento para 2026. Estou muito ansiosa, porque preparei muitas coisas legais, palestras e também uma colaboração.

          Espero que este texto tenha ajudado de alguma forma. E, se você tiver alguma dica para lidar com o bloqueio criativo, compartilhe aqui nos comentários.

Agradeço muito por ter lido! 💛✍️

De sua escritora…

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