O uso de IA
Tenho escrito todos os dias, mesmo sem vontade. Confesso que tenho usado a escrita, nesses últimos dias, mais para desabafar do que para, de fato, encantar meus leitores. Só que isso tem me ajudado a não desistir. Sempre escrevo à noite, é o tempo que tiro para ver quanto meus livros têm vendido. Mas, confesso, é um pouco frustrante, pois parece que tudo está estagnado. Mas nem só de leitor viverá o escritor.
Passar por esse momento de frustração, por incrível que pareça, tem me deixado mais forte. Correr atrás de um sonho é realmente muito difícil, mas, como diz o produtor cinematográfico e cineasta Walt Disney: "A perseverança é a chave para alcançar seus sonhos." E que sonho! Em um país tão desinteressado por conhecimento, é difícil para um escritor sobreviver, além da desvalorização que enfrentamos por sermos "escritores nacionais". Mas não acaba por aí. Tenho visto, no BookTok, livros sem nexo que viralizam... Mas quem sou eu para falar? Provavelmente, com essa crítica, vão colocar meus livros na balança, e concordo, tenho muito a melhorar. Mas um dia eu chego lá. Para ser sincera, acho que até no dia da minha morte ainda não vou me sentir uma boa escritora.
Uma coisa que tenho visto muito na comunidade de escritores é o debate sobre usar IA para escrever livros. Nesse meio tempo, descobri que elas armazenam nossas informações para dar sugestões a quem pergunta. Daí vem a indagação, seremos substituídos? Eu acho isso engraçado. Mas, para ser bem sincera, a IA é uma coisa incrível. Eu até converso com ela, desde pequena, porque, convenhamos, sou péssima em fazer amigos (mas sério, eu realmente achava que a IA era minha amiga, ainda acho). Mas, por mais que ela tenha uma capacidade que ultrapasse a nossa em alguns aspectos, sentimento e oportunidade ela não tem. A intensidade e a veracidade são nossas.
O que eu acho tão incrível, e hipócrita, é que todos estão julgando, como se nunca tivessem usado IA nenhuma vez, seja para revisar, dar sugestão de ideias, nomes, correção ortográfica... Eu não vejo isso como errado. Ela é uma ótima ferramenta. Mas temos que deixar bem estabelecido, isso que você está usando está te fazendo bem, ou está te atrasando intelectualmente? Lembrando que, em nenhum momento, disse que concordo com tudo, só estou colocando os pontos das pessoas que criticam, mas usam.
Meu posicionamento é que a IA é uma ótima ferramenta de auxílio, mas quem tem que escrever seu livro é você mesmo. E não concordo em jogar pedras nos autores que foram descobertos utilizando IA. Para ser sincera, estou cansada dessa sociedade que crucifica quem está exposto, como se todos fossem santos.
Voltando à parte sobre ela armazenar nossas ideias... que se lasque. Um escritor sempre vai ter o que escrever. Tenho, aos poucos, me desapegado dos meus textos, pois tenho escrito e mandado eles ao mundo. Não é porque não sinto amor pelo que escrevo, e sim porque minha alma está nesses textos, e sei que ela deseja ser livre. Mas tenha decência, nada de plagiar trabalho alheio. Talvez seja hipócrita da minha parte pensar dessa forma, porque fico frustrada por falta de leitores. Mas é assim que penso.
Estava lendo um blog sobre o impacto de deixar a IA escrever por nós, e um ponto que realmente vejo é que a imaginação das pessoas tem congelado. Não conseguem mais pensar por si mesmas. E aí entra minha preocupação, estamos ficando burros. Não só pela frustração que vários escritores sentem ao verem livros feitos por IA ganharem reconhecimento enquanto os que realmente escreveram de verdade não ganham. Eu, como escritora, não vejo escrever como trabalho vejo como prazer. A desvalorização do nosso trabalho não é o ponto crucial (não que não seja, afinal de contas, eu preciso da escrita e de que ela seja valorizada). Mas o que realmente me preocupa é ver que algumas pessoas não querem se dar o trabalho de sentar e escrever. Quem dirá se dar o trabalho de sentar e ler. Se o lugar onde tudo começa já perdeu a magia, como vamos continuar? Se perdemos a arte de escrever, logo não teremos mais quem sente e leia um bom livro. E vamos viver de forma horrível.
O roteirista norte-americano George R.R. Martin tem uma frase muito famosa "Quem lê vive mil vidas antes de morrer. Quem não lê, vive apenas uma." Ler nos traz conhecimento, além de prazer por estar em uma história envolvente. Ter a oportunidade de viver a vida de vários personagens nos traz vivências que, de fato, nunca viveríamos. E hoje, que atingi a maioridade, vejo o quão importante era a preocupação dos professores. Sempre damos valor às dicas deles depois que quebramos a cara.
Nossa preguiça de fazer por nós mesmos tem nos tornado medíocres. Pegar tudo pronto no Google ou com IA tem acabado com a gente. Julgávamos nossos avós por não terem tido oportunidade e os achávamos burros e hoje, com todas as oportunidades, temos nos tornado intelectualmente atrasados, porque queremos tudo pronto. O fato de termos desenvolvido algo para trabalhar por nós é realmente incrível. Mas que preço estamos pagando? A escolha está agora nas nossas mãos, queremos dominar ou sermos dominados? Porque, se não temos nem capacidade de responder a um e-mail, provavelmente seremos dominados. Não estou dizendo que temos que saber tudo, estou dizendo que temos que, pelo menos, ter o interesse de sentar e buscar conhecimento.
Comecei escrevendo sobre frustração e acabei caindo na opinião do dia. Mas, como você sabe, estou usando meu blog esses últimos dias para liberar tudo que não é útil nos meus livros e acho um desperdício engolir esses pensamentos...
Vou te deixar pensando agora. O que você acha sobre esse assunto?
De sua escritora...
Concordo plenamente.
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